segunda-feira, 24 de junho de 2019

O que são Papéis Temáticos?

Primeiramente introduzido por Gruber (1965), Fillmore (1968) e Jackendoff (1972), os estudos e os conceitos sobre papéis temáticos surgem principalmente dentro da perspectiva mentalista. Eles são vistos como representações mentais para a semântica. Neste post, iremos abordar os tipos de papéis temáticos e as suas principais características. Confira:

1) Agente 

O elemento que desempenha alguma ação, capaz de agir com controle sobre a mesma. Exemplo:

A) Laura comeu miojo.
B) Maia roubou o dinheiro.

2) Causa

O elemento que não possui controle sobre as suas ações, mas que as desempenha dentro da sentença. Exemplo:

A) A corrupção prejudica o país.
B) A chuva molhou o meu sapato.

3) Instrumento

O meio pelo qual a ação ocorre. Exemplo:

A) Eu consertei o buraco com uma agulha.
B) Ela assistiu o filme 3D com óculos.

4) Paciente

O elemento que sofre o efeito de alguma ação, havendo mudança de estado. Exemplo:

A) Gilmar quebrou sua maleta de dinheiro.
B) O roubo prejudicou a população.

5) Tema

Elemento deslocado por uma ação. Exemplo:

A) Rafael jogou a caneta para Maia.
B) A bola atingiu as crianças.

Fonte: Manual de Semântica, de Márcia Cançalo 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Coesão Referencial: conceitos básicos


A coesão referencial nos apresenta  mecanismos de coesão textual que podem ser utilizados de diversas formas, em diversas sentenças da língua portuguesa. Os mecanismos mais utilizados são: a anáfora, a catáfora e a elipse. Confira: 


Anáfora
A anáfora um mecanismo linguístico que retoma um elemento (sujeito, substantivo, etc) que o antecedeu na sentença.
Exemplos:
  • Martina comprou um novo computador. O laptop é muito moderno.
Laptop retoma o substantivo já referido anteriormente. 
  • professor não foi trabalhar. Ele só retomará as atividades amanhã.
Nesse exemplo, houve a retomada do sujeito “professor” pelo pronome “ele”.
Catáfora
A catáfora é um mecanismo linguístico em que o elemento em questão só aparece posteriormente ao item referente (que pode ser um pronome, uma expressão, um substantivo...)
Exemplos:
  • Eu comprei diversos móveis para casa: cadeiras, mesas, armários...
O item “diversos móveis antecede o referente “ cadeiras, mesas, armários”, que aparece posteriormente. 
  • O menino seguia-a pelo caminho. Marta estava com muita pressa.

Note que o elemento “a” antecede o referente "Marta".
Elipse
Sentenças que omitem itens como pronomes e verbos são caracterizadas como sentenças que apresentam elipse. 
Exemplos:
  • No meu carro, papeis e garrafinhas de água
Note que o verbo "haver" não aparece na sentença.
  • Chegamos no evento atrasados.
O pronome "nós" está oculto na sentença. Entretanto, isto não influencia no sentido da mesma.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Considerações Sobre os Estudos de Port-Royal

O livro Semântica, de Rodolfo Ilari e João Wanderley Geraldi (1992) define que uma oração nem
sempre é composta por sujeito e predicado. Desta forma, para estes autores, descrever uma oração com a presença de um sujeito e um predicado (como a gramática de Port-Royal descrevia)  seria uma forma de estereótipo, ou um "molde".

A lógica clássica de Port-Royal buscou um maior rigor científico e o uso estilístico da língua. Seu princípio era a preocupação com o caráter universal da linguagem. A Gramática de Port-Royal é fruto das conversas entre Lancelot e Arnauld. Lancelot levava ao amigo questões sobre o estudo e métodos utilizados em Port-Royal, o isto despertou um maior interesse em Arnauld. Estes autores afirmaram que
a gramática é a arte de falar. Falar é explicar seus pensamentos por meio de signos que os homens inventaram para esse fim. Achou-se que os signos VERBUM (ISSN 2316-3267), n. 9, p. 69-78, jul.2015 – ANDREA SAMPAIO VOLPE 76 mais cômodos eram os sons e as vozes. Portanto, a gramática é dividida em duas partes: a primeira em que se fala das letras e dos caracteres da escrita e a segunda parte onde se fala dos princípios e das razões sobre as quais se apoiam as diversas formas de significação das palavras, isto é, o modo pelo qual os homens deles se servem para expressar seus pensamentos. (ARNAULD e LANCELOT citados por BASSETTO e MURACHCO, 2011, p. 3)
A lógica de Port-Royal analisa as sentenças da seguinte forma:

A) Paulo é homem. (Ou seja, todo indivíduo que pertence à extensão de Paulo é homem);
B) Todo homem é mortal;
C) Paulo é mortal. 

Há uma lógica que inclui Paulo na classe de homens, e da classe de homens na classe dos mortais. Esta lógica pode ser vista e estudada em diversas línguas, e tem se sustentado durante muito tempo. Para a gramática de Port-Royal, as proposições são classificadas em universais e particulares. É universal, por exemplo: 

A) Todo brasileiro é feliz. (Considerando que "brasileiro" está em sua extensão total);
B) Alguns estudantes são folgados (Apresenta somente uma parte da extensão de "estudantes")

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Acesse a sessão "artigos" do blog e baixe o artigo de Andreia Sampaio Volpe. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O que é Sentido e Referência?

Nesta publicação, iremos descrever e explicar a descrição de sentido e referência na linguagem para Frege. Além disso, iremos compartilhar exemplos que o autor oferece em sua obra para compreender melhor o assunto. Em 1982, Frege escreve em sua obra sobre o que é referência:

A referência de um nome próprio é o próprio objeto que designamos com ele; a representação que então temos é totalmente subjetiva; entre os dois reside o sentido, que não é subjetivo como a representação, mas por certo não é o próprio objeto. A seguinte analogia talvez seja apropriada para ilustrar essas relações. Alguém observa a Lua através de um telescópio. Comparo a própria Lua com a referência; ela é o objeto da observação, que é veiculado pela imagem real construída no interior do telescópio pela lente objetiva e pela imagem na retina do observador. Aquela comparo com o sentido, esta com a representação ou a intuição. A imagem no telescópio é apenas parcial; ela é dependente do lugar; mas ela é por certo objetiva, uma vez que vários observadores podem fazer uso dela. Pode-se mesmo orientar várias pessoas a fazer uso dela ao mesmo tempo. Mas em relação à imagem na retina cada um teria a sua própria. Frege (1892, p. 25)

O autor, utilizando o exemplo do planeta Vênus (que era conhecido  por ser a "estrela da manhã" e a "estrela da noite") afirma também que nós atribuímos diferentes nomes aos mesmos elementos do mundo (objetos, pessoas, animais, etc). Além disso, atribuímos diferentes representações para as mesmas referências que existem no universo.

No cotidiano, também é possível verificar este fenômeno na linguagem, pois o contexto e o intradiscurso interferem nas nossas representações sobre as referências que existem no mundo. Como por exemplo, quando o interlocutor diz "eu tenho um gato muito lindo", o ouvinte, dependendo do contexto e do discurso precedente, pode atribuir representações totalmente diferentes ao referente "gato". O elemento "gato" pode representar uma pessoa do gênero masculino ou um animal (felino).

sexta-feira, 7 de junho de 2019

As Relações Semânticas Entre as Sentenças

Nesta publicação veremos as relações semânticas entre as sentenças na língua portuguesa.

1. Acarretamento: 

acarretamento é uma relação que ocorre de tal forma que se  é um conjunto de sentenças e se  é uma sentença, então podemos concluir que a sentença  é verdadeira desde que todas as sentenças em  o sejam.
Em símbolos,
significa que o conjunto de sentenças de  acarreta, ou tem como consequência semântica, a sentença 
Como exemplo, veja as seguintes sentenças:
(a) Pedro é simpático
(b) Pedro é um estudante
(c) Pedro é um estudante simpático
Se as afirmações (a) e (b) são verdadeiras, nós sabemos que (c) é verdadeira. Podemos dizer que:
(a) , (b)  (c)

2. Equivalência ou sinonímia: 

De forma geral, pode dizer-se que os sinónimos se caracterizam pelo facto de a sua similaridade semântica ser mais evidente que a sua diferença (Cruse, 2004:154). As sentenças equivalentes presentam três características – identificação, igualdade e similaridade. Como exemplo, veja as seguintes sentenças:

(a) O Pedro beijou a Maria
(b) A Maria foi beijada pelo pedro

3. Tautologia: 
Tautologia é uma proposição cujo valor lógico é sempre verdadeiro. Como exemplo, temos a proposição p ∨ (~p), pois o seu valor lógico é sempre V, conforme a tabela-verdade. 
Na sentença, a tautologia aparece desta forma:
(a) Pedro trabalha ou Pedro não trabalha
4. Contradição: 
A contradição ocorre quando aproximamos uma oração e a negação de sua sinônima, ou uma oração e a negação de uma de suas consequências. Como exemplo, temos: 

 (a) Pedro trabalha e Pedro não trabalha
 (b) Martina gostava de sorvete mas odiava sorvete